23/02/2026
O combate ao contrabando e à economia paralela continua a ser uma prioridade das autoridades portuguesas, sobretudo num setor onde a carga fiscal elevada e a procura sempre elevada criam condições favoráveis ao mercado ilícito.
Os dados consolidados referentes ao ano de 2025 evidenciam a dimensão da atividade de fiscalização e apreensão de produtos relacionados com tabaco e nicotina em território nacional.
De acordo com a informação divulgada com base nas comunicações de apreensões provenientes de contrabando realizadas pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e pela Unidade de Ação Fiscal da Guarda Nacional Republicana (GNR), foram apreendidos, ao longo de 2025, um total de 3 111 130 cigarros. Paralelamente, registou-se a apreensão de 102 998 ml equivalentes dispositivos de vaping, indicador que também demonstra o crescimento e a diversificação dos produtos de nicotina que circulam fora dos circuitos legais. Além dos cigarros e dispositivos eletrónicos, os dados incluem ainda apreensões de 9 220 565 kg de folha de tabaco (categoria que integra também apreensões de tabaco de enrolar) e de 6 347 kg de tabaco de mascarar.
O impacto económico deste fenómeno é igualmente relevante. A mesma informação estima que estas apreensões representam uma perda de receita fiscal para o Estado de 4 861 886,26 euros. Esta estimativa considera o enquadramento fiscal em vigor em Portugal durante o ano de 2025 e contempla o equivalente em sede de IVA e imposto sobre o tabaco, não incluindo outras perdas potenciais, como direitos aduaneiros.
Os dados apresentados manifestam a pressão que o mercado ilícito continua a exercer sobre o setor do tabaco. Importa sublinhar que os números dizem respeito a apreensões, ou seja, apenas ao produto intercetado e retirado de circulação. As métricas de tabaco ilícito estão, por isso, inflacionadas e sugestionadas – existe uma percentagem cujas autoridades não conseguem controlar. Este mercado é, certamente, mais denso do que os dados apresentados.
Com estes indicadores, o ano de 2025 confirma que o contrabando de tabaco continua a ser um fenómeno ativo e diversificado, abrangendo desde cigarros tradicionais até formatos mais recentes, como o vaping. O reforço da fiscalização e a monitorização contínua do fenómeno permanecem essenciais para limitar o impacto económico e travar o crescimento de circuitos paralelos que operam à margem da lei.
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