No Contrabando
Nao contrabando

06/04/2026

Da Rota do Leste à Produção Interna: A Nova Geografia do Tabaco Ilícito na Europa

Nos últimos anos, o mercado ilícito passou de um modelo predominantemente baseado no contrabando do Leste para um sistema onde a produção interna na UE ganhou peso significativo. 

De acordo com o relatório Smoke Rings (2026), em 2023 até 60% do tabaco ilícito consumido na UE foi produzido internamente. Esta mudança foi impulsionada pela pandemia, pelas sanções à Bielorrússia e Rússia e, sobretudo, pela guerra na Ucrânia, que interrompeu rotas tradicionais e levou os grupos criminosos a aproximar a produção dos principais mercados consumidores, como França, Alemanha e Reino Unido. 

Cada fábrica ilegal pode produzir até 1 a 1,5 milhões de cigarros por dia, funcionando em regime quase contínuo, segundo a mesma análise. Embora menores do que as antigas fábricas industriais do Leste, estas estruturas são descentralizadas e resilientes, garantindo abastecimento mesmo quando uma instalação é descoberta.

O setor é altamente lucrativo. O estudo evidencia ainda que o investimento inicial ronda os 2,5 a 3 milhões de euros, com lucros semanais estimados em cerca de 625 mil euros por fábrica, permitindo recuperar o capital rapidamente. 

Paralelamente, o comércio ilícito tornou-se mais fragmentado e tecnológico. Segundo o relatório Smoke Rings (2026), foram registados casos de transporte com drones e balões equipados com GPS, além do recurso crescente a pequenas remessas postais. A venda migrou também para plataformas digitais e redes sociais, tornando as transações mais discretas e difíceis de monitorizar.