No Contrabando
Nao contrabando

22/10/2026

Do balcão para o ecrã: o contrabando também circula nas redes sociais

O comércio ilícito de tabaco e produtos com nicotina de hoje cabe no ecrã de um telemóvel. Basta uma publicação numa rede social, uma mensagem privada e um envio combinado para que um produto ilegal chegue às mãos do consumidor. 

Um estudo publicado em novembro de 2025 na revista científica International Journal of Drug Policy, com o título “Social media nicotine markets: Criminogenic affordances and market displacements”, mostra bem como este fenómeno se desenvolve. A investigação analisou o caso da Dinamarca, onde a proibição dos cigarros eletrónicos descartáveis com sabores, pensada para proteger os mais novos, levou ao aparecimento de mercados ilícitos de nicotina nas redes sociais. 

Durante 12 meses, os investigadores observaram estes mercados digitais e entrevistaram 12 vendedores. As conclusões são claras. Os produtos ilegais não estão escondidos em recantos obscuros da internet. Estão disponíveis em redes sociais, em plataformas que usamos todos os dias: o contacto inicial faz-se online, pela comodidade, e a entrega acontece fora da rede, para reduzir o risco. 

Quando o mercado muda de lugar, a fiscalização tem de acompanhar 

Quando uma conta é encerrada ou uma plataforma aperta as regras, os vendedores mudam de rede, de nome ou de método, e o negócio continua. É um mercado ágil, fragmentado e difícil de controlar com os instrumentos tradicionais. 

A lição é importante para Portugal. Sem fiscalização digital eficaz, sem cooperação das plataformas e sem controlo da idade dos compradores, cada nova restrição corre o risco de empurrar a procura para circuitos ilegais, onde não há garantias de qualidade, de proteção dos menores nem de pagamento de impostos. 

Se o comércio ilícito migrou para o digital, é também aí que tem de ser combatido, incluindo nas redes sociais e nos grupos de mensagens. Exige autoridades com meios para investigar no espaço digital, plataformas que assumam a sua responsabilidade e uma regulação que antecipe os efeitos das medidas que adota. 

Denunciar e sensibilizar continua a ser essencial para travar o comércio ilícito de tabaco 

A colaboração dos cidadãos é fundamental nesta luta. Se conhece um ponto de venda ilegal, seja numa loja ou numa rede social, denuncie-o. Pode fazê-lo através do nosso site.