No Contrabando
Nao contrabando

09/03/2026

Fábrica de tabaco ilegal desmantelada: operação das autoridades apreende tabaco no valor de 1,8 milhões de euros só em impostos

A Unidade de Ação Fiscal (UAF) da GNR desmantelou uma fábrica clandestina de produção de cigarros em Vila Pouca de Aguiar com capacidade para processar uma tonelada de tabaco por dia, o equivalente a mais de 1 milhão de cigarros por dia.  

Além de um êxito na área da investigação criminal, a operação representa um alerta claro sobre a dimensão, sofisticação e natureza transnacional do comércio ilícito de tabaco. 

Com esta investigação foi possível desmantelar uma rede criminosa dedicada à produção e distribuição ilícita de tabaco, constituída por indivíduos de várias nacionalidades, que operava a partir dos concelhos de Montalegre, Chaves, Vila Pouca de Aguiar e Felgueiras, desenvolvendo uma cadeia organizada de operações, designadamente ao nível da logística, produção e armazenamento. O modus operandi consistia na produção massificada de cigarros e na sua posterior distribuição, com destino ao território nacional e a outros países da União Europeia. 

A operação, intitulada de “SIMBA”, apreendeu mais de 8,4 toneladas de folha de tabaco, com um valor comercial estimado superior a 1,8 milhões de euros, e uma prestação tributária presumida de cerca de 1,77 milhões de euros. A estas apreensões juntam-se 26 480 cigarros prontos para distribuição ilícita, avaliados em cerca de 6 800 euros, correspondendo a uma perda fiscal adicional superior a 5 600 euros. Estes números refletem o verdadeiro impacto económico do contrabando: uma ameaça direta à receita pública, à concorrência leal e à segurança dos consumidores. 

Foram ainda apreendidas 146 paletes de componentes e matérias-primas destinadas ao fabrico de cigarros, várias máquinas industriais, dois geradores, 376 caixas contendo material diverso utilizado no processo de produção de cigarros, um veículo pesado de mercadorias e dois semirreboques, um empilhador e material informático. 

Estas redes criminosas operam à margem da economia formal, lesando o Estado em receitas fiscais, prejudicando empresas legais e, principalmente, colocando no mercado produtos não controlados e potencialmente perigosos para os consumidores. O comércio ilícito não é um problema lateral: é um ataque direto à estabilidade fiscal e à saúde pública.